Proposta de trabalho com o texto "O Primeiro Beijo " de Clarice Lispector
Público Alvo :
8ªs séries nono ano EFII
6 aulas para o desenvolvimento da atividade
Objetivos :
Desenvolvimento de capacidades envolvidas nas práticas letradas exigidas pela sociedade abrangente.
Ler
desenvolve diversos procedimentos e capacidades ( perceptuais,
práxicas, cognitivas, afetivas, sociais, discursivas, liguisticas).
Interação entre o leitor e o autor.
Reconhecer figuras de linguagem
Reconhecer os elementos da narrativa e destacá-los no texto
Produção Textual através de uma reescrita acerca do tema.
Desenvolvi mento :
Análise do título do texto
Apresentar o autor e suas correntes literárias
Leitura silenciosa
Leitura compartilhada
Levantamento do conhecimento prévio sobre o assunto
Contextualizar o texto com o cotidiano em que o aluno está inserido
Localização ou construção do tema
Construção da síntese semântica do texto
Reescrita textual
Avaliação :
Contínua, durante todo o precesso de análise, culminando com uma produção de texto em duplas.
Provocações literárias acerca do assunto a ser estudado :
a) Quem já beijou ?
b)Onde foi o primeiro beijo ?
c)Como foi a sensação do primeiro beijo ?
d)Quem são as personagens envolvidas na história ?
e) Apresentar outros textos que versam sobre o mesmo assunto, apresentando uma intertextualidade
f) O que é intertextualidade ?
Podemos definir intertextualidade como sendo a criação de um a partir de um outro texto já existente.
Dependendo
da situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem
muito dos textos/contextos em que ela é inserida.
A
intertextualidade está ligado ao "conhecimento do mundo", que deve ser
compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos. O
diálogo pode ocorrer ou não em diversas áreas do conhecimento, não se
restringindo única e exclusivamente a textos literários.
Sugestão :
O Primeiro Beijo - Antonio Barreto
Meu Primeiro Beijo
Antonio Barreto
É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem
com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos
exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e
morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos
seus milhares de bilhetinhos:
"Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou
com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de
mulher... E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber
que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus,
veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias
e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou
na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina;
0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo
menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os
meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem
os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso
aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz,
fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro
de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns
segundos.
E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos,
o abismo do primeiro beijo.Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos
apaixonados por várias semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o
tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e
foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!
BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD,
1977. p. 134-6.
Extraído de http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=22430
É
difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da
escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal.
Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme.
Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E
foi assim...Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta
tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:"Você é a glicose
do meu metabolismo.Te amo muito!Paracelso"E assinou com uma letrinha
miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha
tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas
de mulher... E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele,
mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.No dia seguinte, depois do
inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o
seguinte papo:- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara
de desentendida.Mas ele continuou:- Dependendo do beijo, a gente põe em
ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70
para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha
mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:- A gente também gasta, na
saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de
substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e
pelo menos 250 bactérias...Aí o bactéria falante aproximou o rosto do
meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos
olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os
óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E
achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele
beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração
ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais
força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.E de
repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos
transposto , juntos, o abismo do primeiro beijo.Desci, cheguei em casa,
nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por
várias semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram,
o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois
diminuíram...e foi ficando nisso. Normal.
Que nem meu primeiro beijo.
Mas foi inesquecível!
BARRETO,
Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo:
FTD, 1977. p. 134-6.Extraído de
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=22430